quarta-feira, 8 de agosto de 2012

TRAGÉDIA ANUNCIADA, "SEM" VÍTIMAS

Embora sem vítimas, desabamento no Anexo Fiscal de Carapicuíba comprova que situação em vários prédios do TJSP é precária como há muito denunciamos. Publicamos aqui neste espaço um texto do colega Clóvis a respeito. O texto a seguir e as fotos foram protocolados junto à Comissão do CNJ que realiza neste mês uma inspeção no TJ.


"No Tribunal o espeto é de pau! Depois de anos de avisos e requerimentos de providências sem que nenhuma medida prática tenha sido adotada, finalmente aconteceu o que todos os servidores que tem acesso ao prédio anexo do Fórum de Carapicuíba previam: o sobrepeso de processos no Cartório do Anexo Fiscal chegou muito além de qualquer limite aceitável e as já cansadas prateleiras ruíram sob toneladas de processos.  Felizmente as vidas humanas foram preservadas, uma vez que o desabamento ocorreu fora do horário do expediente. Mas o segundo ato dessa tragédia grotesca pode não ser tão generoso com as pessoas, uma vez que outro fato, incomparavelmente mais grave que o enorme volume de processos, é a situação física do prédio. A enorme quantidade de rachaduras na laje balançante indica que providências devem ser tomadas com urgência. Todos os pedidos para adequação do prédio a condições minimamente seguras e insalubres são sistematicamente ignorados pelo Tribunal, que reluta em efetuar uma perícia no local. Os diversos pedreiros, gesseiros, juízes e outros curiosos que passaram pelo local afirmaram que não há problema estrutural, mas nenhum engenheiro efetuou perícia técnica no local. As precárias condições da edificação deixam a todos os servidores que ali trabalham em constante estado de tensão.
Como se não bastasse a apreensão diária causada pelo medo de desabamento, há ainda o desconforto térmico e infestações por ratos, baratas, pombos e outras pragas urbanas que tornam o trabalho desumano nesse local, o qual claramente não foi construído para ocupação humana, mas sim para armazenamento de materiais (de natureza leve, diga-se).   O desconforto térmico extremo no Cartório do Juizado Especial Cível e Criminal, localizado logo acima do Anexo Fiscal, fica por conta das famigeradas telhas de cimento-amianto, as quais têm o uso proibido em diversos Estados e Municípios brasileiros, inclusive São Paulo, do forro de gesso com pé-direito baixo e da falta de ventilação, fatores que, somados, garantem ao Cartório do Juizado temperaturas de até 38º no verão – isso mesmo, você não leu errado, são trinta e oito graus – e um frio insuportável no inverno. Em qualquer empresa privada onde trabalhadores sejam submetidos a temperaturas maiores que 32,2º, limite máximo sem a adoção de medidas adequadas, segundo a Portaria 3.214/78 - NR-15 – Anexo n° 3, a justiça costuma obrigar estas empresas a tomarem providências, mas o próprio Tribunal ignora a norma, consagrando provérbios famosos, como “faz o que eu mando e não faz o que eu faço” ou “em casa de ferreiro o espeto é de pau”.  A Constituição Federal garante em seu Art. 5º, III, que ninguém será submetido a tratamento desumano ou degradante, mas parece que os administradores do Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo ainda não leram este capítulo da Carta Magna. É sabido que uma temperatura corporal acima de 37º indica febre. No entanto, a cúpula do Tribunal, do alto de sua sala confortável, segura e com ar condicionado, submete os funcionários a temperaturas de até 38º, mantendo os servidores em estado febril constante durante o verão e com calafrios no inverno, seja de frio ou de medo.

Carapicuíba, 08 de agosto de 2012."

Clóvis Rogério Mendonça Duarte.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Comando da Base - boletim nº 22 e Encontro Estadual

                            Este é o boletim nº 22 do Comando da Base. Contém matérias sobre: 1,57% em novembro; divulgação do Encontro Estadual em São Paulo no dia 26/11; condições de trabalho; e texto sobre a Campanha “10% do PIB já para a educação pública” e seu plebiscito.
Neste momento, concentramos nossos esforços na divulgação do Encontro Estadual e para isso, contamos com a colaboração de toda(o)s. Serão distribuídas 16 mil cópias do boletim, além da divulgação por outros meios.
Consideramos que o Encontro será uma oportunidade para que cada funcionária(o) do TJSP tenha contato com temas importantes que influenciam nossas condições de trabalho e de vida.
Os debates prometem elevar o nível das discussões e o grau de consciência política. Acreditamos que a base da categoria precisa ser ouvida. Queremos democracia, transparência, ampla participação, certos de que as discussões, o diálogo e a voz da base são indispensáveis.
Além disso, a realização deste Encontro é importante para fazer um balanço da Campanha Salarial 2011. Também é uma iniciativa para antecipar a organização e mobilização da categoria, visando reunir forças e preparar a Campanha Salarial 2012.
Continuamos na luta porque nos importamos. Queremos que a categoria volte a ter uma cultura sindical, que se interesse por suas questões; participe, questione, seja “protagonista” e não “coadjuvante” nos processos de discussão, organização, reivindicação e negociação. Este é nosso objetivo desde o início. Acreditamos seguir firmes e coerentes nesse propósito.
Lembramos ainda, que este Encontro é realizado por iniciativa e com organização do Comando da Base, com apoio da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular). Também conta com o apoio das recém-nascidas organizações sindicais irmãs: SINDJESP-Caieiras e São Paulo; SINDJESP-ABCDMR; SINDJESP-RMSP (Região Metropolitana de São Paulo); SINDJESP-Campinas; SINTRAJUS (Baixada Santista, Litoral e Vale do Ribeira); além da ASSOJUBS.
Toda(o) ao Encontro Estadual!

domingo, 6 de novembro de 2011

Condições de trabalho.

            Há tempo o TJSP fre­quenta noticiários com uma série de denúncias sobre as condições dos prédios. Nas últimas se­manas as notícias se concentraram na situa­ção caótica do prédio onde estão instalados o JEC e a Vara da Infância da Lapa, zona Oeste da Capital. As denúncias vão da falta de acesso para deficientes, cujas audiên­cias são reali­zadas até na calçada, além de racha­duras no edifício, enca­na­mentos aparen­tes e com vaza­mentos, falta de banhei­ros etc.

Em muitos prédios da Capi­tal e por todo o Estado a situação não é diferente. João Men­des, Jabaquara, San­to Amaro, Itaquera, San­to André, Lapa, são alguns exemplos. Muitos não têm sequer alvará dos bom­beiros para fun­c­ionamento. Sem sa­ber, funcio­nários, ad­vo­gados e usuários estão cons­tantemente sujeitos a situações de risco. Como se não bastassem as questões de salu­bri­dade e segurança, as condi­ções de trabalho tam­bém são precárias.

Há prédios em que as con­dições gerais já são terríveis e a ilumi­nação é parcial­mente desligada para eco­nomia de ener­gia, difi­cul­tando ainda mais o tra­balho. As defi­ciências do sistema informati­zado a­tor­­mentam a vida de quem tra­balha nos car­tó­rios e quem precisa de atendi­mento. Fóruns em que Assis­tentes Sociais e Psi­cóloga(o)s não têm es­paços ade­quados, em alguns ca­sos não há mesas nem com­putadores para tra­ba­lhar.

No próprio Setor Psicos­social onde são aten­didos funcionários, as salas são inadequadas e pacien­tes reclamam da falta de privacidade.

Que espécie de serviço público pode ser prestado nestas condições?

A ironia está no fato de que os recursos que o TJ alega faltarem para so­lução de questões bási­cas como estas, não fal­tam para man­ter es­tru­turas luxuosas e mo­der­nas na segunda ins­tân­cia, nem para o paga­mento de “indeni­zações” milio­nárias para juízes e desem­bar­gadores.
* Matéria integrante do boletim nº 22 (novembro/2011) do Comando da Base, com "layout" adaptado para este blog.

Por que investir 10% do PIB na Educação Pública já?

Começa hoje o plebiscito da Campanha pelo investimento de "10% do PIB na Educação Pública já!"
Leia a matéria constante do boletim nº 22 do Comando da Base. Mais informações pelo link: http://cspconlutas.org.br/2011/10/materiais-para-o-plebiscito-da-campanha-pelos-10-do-pib-para-a-educacao-publica-ja/