Nos últimos dias (31/7 a 5/8) o SAJ esteve em colapso. Nos
cartórios foi impossível trabalhar, comprometendo o serviço e o atendimento. No
João Mendes, ofícios de liminares de processos digitais chegaram a ser feitos
fora do sistema (no “word”) e entregues aos advogados no papel. Sem falar, na
dificuldade de quem estava só no período das 18 às 19h por conta da jornada
fixa imposta pelo TJ.
Em condições normais o sistema é lento, e torna a rotina e a
vida do trabalhador do TJSP, advogados e usuários um tormento.
Questionado sobre a lentidão do sistema em visita ao Fórum
João Mendes (2012), Sartori afirmou que o problema está na rede de internet (Vivo/Telefônica)
e que não há outra empresa que possa substituí-la.
Contudo, a resposta não se mostra convincente, já que
todos os bancos e suas redes de agências, por exemplo, utilizam o mesmo serviço,
tem demanda maior e raramente sofrem com lentidão e colapsos.
Distante da propaganda das mídias interna e externa do
tribunal, a realidade do sistema SAJ e dos cartórios é de entristecer até os
mais otimistas.
E não venham dizer que os funcionários só sabem criticar.
Fomos nós que sempre nos desdobramos para driblar as deficiências dos sistemas (SAJ PG3 e outras versões,
PRODESP, SAJ PG5 e outros). Improvisamos e nos esforçamos para que a coisa não
desandasse de vez.
SOFTPLAN E O SAJ PG5
A Softplan, desenvolvedora do SAJ, desfruta de uma espécie
do monopólio nas Justiças Estaduais. Além disso, os técnicos de informática do
TJSP não têm acesso ao programa para solucionar problemas, aprimorá-lo ou
adequá-lo às necessidades específicas de cada área (cível, criminal, família...).
Toda e qualquer alteração, tem que passar pela Softplan o que
mantém o tribunal numa posição equivalente à de refém. O contrato com o TJ é
milionário.
Segundo escreventes o programa é inadequado e apresenta uma
série de falhas (os chamados “bugs”); principalmente nos cartórios híbridos
(que tem processos físicos e digitais) caso do Fórum João Mendes, por exemplo.
A impressão que se tem é de que o programa foi desenvolvido
a partir de uma plataforma restrita, e com base em orientações e tabelas do CNJ
que alteraram procedimentos que eram habituais.
Supõe-se também que foi idealizado por técnicos, sem
consulta ou acompanhamento de quem tivesse noção sobre rotinas cartorárias,
processos, andamentos processuais e seus desdobramentos.
Um exemplo: com a implantação do SAJ PG5, todos os incidentes
processuais antigos (prodesp) tiveram a numeração automaticamente alterada na migração entre sistemas. Isso tornou praticamente
impossível a tarefa de encontrá-los, identificá-los e alterar as respectivas etiquetas. O
problema atinge principalmente processos falimentares, insolvências e outros com
grande número de incidentes processuais (centenas ou milhares).
Parte da discussão está colocada e pensamos que é necessário ampliá-la. Cabe a
nós trabalhadores do TJ, aprofundar o debate e pressionar o TJ em busca de soluções para a lentidão e os problemas do
sistema.
. . .
Cursos relâmpago e superficiais, palestras sobre autoestima
e estimulação da colaboração cega com o patrão, não melhoram nossas vidas nem a realidade das nossas
condições de trabalho.